Machado de Assis, maior escritor do Brasil

Machado de Assis foi o maior escritor e cronista brasileiro, muito conhecido por ter dado início ao realismo no Brasil entre 1839 a 1908.

Machado de Assis tornou-se um dos grandes ícones da literatura nacional

Joaquim Maria Machado de Assis, mais conhecido como Machado de Assis, foi precursor do realismo brasileiro e fundador e presidente da Academia Brasileira de Letras, sendo esse um de seus maiores e mais importantes feitos.

Publicou mais de 200 contos, 10 romances e demais publicações de diversos gêneros, como folhetins, peças teatrais, contos e crônicas, tornando-se grande referência como cronista de sua época. O autor presenciou acontecimentos históricos, como a abolição da escravidão e a passagem do Brasil Império para Brasil República.

Carreira

Machado de Assis e Joaquim Nabuco fundaram a Academia Brasileira de Letras (foto de Augusto Malta / Biblioteca Nacional)

Sua carreira foi marcada por grandes feitos, sendo suas crônicas um deles. Machado falava muito sobre a sociedade local da época, tendo mais de 40 anos de observação e crítica da sociedade, o que resultou na produção de um total de mais de 600 crônicas. Ainda em vida conseguiu ascender socialmente, tendo em vista que era nascido de família humilde. Tornou-se um homem muito respeitado, ocupando diversos cargos públicos. Foi nomeado cavaleiro e, posteriormente, oficial da Ordem da Rosa.

O escritor epilético, gago e descendente de escravos, nascido em 21 de Junho de 1839 no Morro do Livramento, Rio de Janeiro, viveu 69 anos, morrendo em 1908. Machado de Assis é considerado até hoje o maior escritor brasileiro.

Características

O autor criticou vários valores burgueses por meio de ironias e metalinguagens. Precedendo não só o próprio realismo, instaurou o realismo psicológico, claramente visto em seus romances por fazer diálogos diretos com o leitor e também por conta de pensamentos pontuais que surgem ao longo da narrativa como uma reflexão sobre os acontecimentos que se passam no romance, similar à quebra da quarta parede no teatro, quando o ator cria um diálogo direto com o espectador.

Machado tratava com frequência sobre a ascensão social e a manutenção das aparências sociais por meio de críticas à burguesia, dando luz ao realismo brasileiro. Suas obras, recheadas de ironias, abordam o que o autor observava na sociedade da época. O Rio de Janeiro do Brasil passava por uma transição da falta de infraestrutura, ganhando planejamento baseado no urbanismo de Paris, na França: sofisticação para satisfazer a proeminente parcela burguesa da população da época. Estima-se que de 200 mil cidadãos cariocas, 100 mil eram escravos e, desse total, apenas 20% eram letrados, configurando uma população em que 80% eram analfabetos.

Sua carreira pode ser dividida em duas fases, sendo a primeira caracteristicamente mais romântica, predominando obras como seu primeiro romance, ‘Ressureição’; sua primeira peça, ‘Queda que as mulheres têm pelos tolos’; e o livro de poesias ‘Crisálidas’. A fase romântica perdurou entre 1864 e meados de 1878.

Sua segunda fase teve início com a publicação do livro ‘Memórias póstumas de Brás Cubas’, livro escrito logo após ser internado devido ao seu quadro de epilepsia, que o forçava a tomar remédios fortes, que lhe desgastavam a saúde. Ainda internado, chegou a enviar alguns capítulos do romance à sua esposa, Carolina Augusta Xavier de Novais. Como um marco entre uma fase e outra, percebe-se que, nessa nova fase, Machado apresenta fortes traços de pessimismo e ironia, que se tornam grandes características da obra do autor, acompanhando-o até seus últimos dias.

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11 curiosidades sobre Machado de Assis

1.O avô de Machado de Assis foi escravo em uma chácara no morro do Livramento, no Rio de Janeiro, onde o escritor nasceu e foi batizado pela dona da casa, Maria José de Mendonça Barroso. Aliás, foi lá que ele aprendeu a ler.

2. Machado foi responsável por uma das primeiras traduções do conto O Corvo, de Edgar Allan Poe. O autor brasileiro falava francês — alguns acreditam que ele aprendeu a língua com um padeiro — e também traduziu Os Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo.

3. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e ocupou a cadeira 23 — na época, a primeira cadeira foi designada a José de Alencar. Machado foi o primeiro presidente da instituição.

4. Foi apelidado pelos vizinhos de “Bruxo do Cosme Velho”, pois teria queimado cartas em um caldeirão em sua casa que ficava na Rua Cosme Velho. O apelido, entretanto, só pegou quando o poeta Carlos Drummond de Andradefez o poema A um bruxo, com amor, que reverencia o escritor.

5. Em seu livro Anjo Rafael, Machado de Assis previu a existência da doença folie à deux antes de ela ser descrita. Isso porque na obra é contada a história de uma filha que é “contagiada” pela loucura do pai, enlouquecendo também. Anos depois da publicação, o mal foi descoberto por pesquisadores. Como se não bastasse, o brasileiro também descobriu a cura para a doença: afastar a pessoa saudável de quem tem o problema mental.

6. O autor era enxadrista e participou do primeiro campeonato brasileiro do esporte mental, ficando em terceiro lugar. As peças que utilizou estão expostas até hoje na Academia Brasileira de Letras.

7. Ele foi casado por 35 anos com Carolina Machado, que era quatro anos mais velha, mas não tiveram filhos. Alguns especialistas dizem que Carolina era muito inteligente e ajudava na revisão dos textos. Com a morte da mulher, Machado entrou em profunda depressão e escreveu para o amigo Joaquim Nabuco: “Foi-se a melhor parte da minha vida, e aqui estou só no mundo”.

8. No prefácio da segunda edição de sua obra Poesias Completas, publicada em 1902, a palavra “cegara” foi substituída, na expressão “lhe cegara o juízo”, por um inusitado “cagara”. Calma, a história é ainda pior. Entenda aqui por que a gafe foi ainda maior. Diz a lenda que o próprio Machado teria participado de um mutirão para corrigir os exemplares antes de chegarem ao público. O que se sabe é que alguns escaparam e saíram com o erro.

9. Machado escreveu nove textos teatrais e foi crítico desta forma de arte desde os 21 anos. Também trabalhou como jornalista e, no início da juventude, vendeu doces feitos pela madrasta e engraxou sapatos. Alguns especialistas acreditam que ele chegou a ser coroinha em uma igreja, mas não há confirmações.

10. Em 188, foi condecorado pelo então imperador Dom Pedro 2º com a Ordem da Rosa e, meses depois, foi indicado para fazer parte da Secretaria da Agricultura. Anos depois, chegou a ocupar o cargo de diretor-geral da viação da Secretaria da Indústria, Viação e Obras Públicas.

11. Era epilético e apresentava sinais de gagueira, o que contribuiu para formação de sua personalidade insegura e reclusa. Além disso, Machado de Assis, por ser mulato, enfrentou muito preconceito para conseguir reconhecimento.

Obras
Com uma carreira cheia de publicações dos mais variados gêneros, Machado de Assis publicou 10 romances, 10 peças teatrais, 200 contos, 5 coletâneas de poemas e sonetos e mais de 600 crônicas. São exemplos:
  • O poema ‘Ela’ (1855), seu primeiro poema publicado;
  • As peças teatrais de comédia ‘O protocolo’ e ‘O caminho da porta’ (1863);
  • Seu primeiro livro de versos, ‘Crisálidas’ (1864);
  • Seu primeiro romance, ‘Ressurreição’ (1872);
  • O livro de contos ‘Histórias da meia-noite’ (1873);
  • O romance ‘Iaiá Garcia’ (1878);
  • Um dos mais importantes livros de sua carreira: ‘Memórias póstumas de Brás Cubas’ (1881);
  • O romance ‘Quincas Borba’ (1891);
  • O romance ‘Dom Casmurro’ (1899);
  • O romance ‘Esaú e Jacó’ (1904).
Por Me. Fernando Marinho

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