Sergio Garloppa – Produtor Artístico Cultural – Carioca, torcedor do Bangu, atualmente  Morador de Volta Redonda -RJ. Trabalhou e produziu show de diversos artistas da MPB entre eles  Baby do Brasil, Novos Baianos, Moraes Moreira, Elimar Santos, Paulinho Moska, Ivan Lins, Maria Gadu, Zeca Baleiro, Gonzaguinha, Vando, Charlie Brow Junior, Cazuza, e Luiz Melodia. Participou como produtor em 03 Rock in Rio e diversos shows internacionais.

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PAPO DE SOM

 

REFAZENDA – GILBERTO GIL

Depois do experimentalismo da época do Tropicalismo e da primeira metade da década de 1970, Gil surpreendeu o público e a crítica com a sonoridade mais simples de Refazenda, inspirada no baião e nos ritmos nordestinos[1] . O sucesso do disco, porém, levou o compositor a estendê-lo na “Trilogia Re”, completada por Refavela (1977) e Realce (1979), tendo ainda no meio destes o disco ao vivo com Rita Lee Refestança (1978).
O álbum está recheado de clássicos que marcaram época não só pela qualidade indiscutível das faixas, mas também por marcar uma fase de Gil.
A pretensão do trabalho era voltar às raízes nordestinas, deslocando Gil de um período mais rock’n’roll de sua vida. Uma presença mais que marcante no disco é a do incomparável Dominguinhos, que tem tudo a ver com a história do álbum. “No álbum Refazenda eu já trago a experiência com o violão ovation, com as novas tecnologias e com os novos pedais, pra tocar coisas mais ligadas ao original nordestino” comenta o próprio Gil.
O disco traz faixas como a marcante faixa-título Refazenda, meio nonsense, apesar de ainda dar margem a interpretações…  Como, por exemplo, a denúncia sobre a repressão da ditadura implícita no trecho: “Abacateiro, acataremos teu ato…”.
Neste álbum também temos o registro da magnífica Lamento Sertanejo, com letra de Gil e uma base instrumental pré-concebida por Dominguinhos, a qual já vinha sendo cantada desde o ano anterior nas apresentações do músico. A faixa possui uma sensibilidade notável e uma absoluta sinceridade em sua composição como um todo.

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Outra faixa marcante é Pai e Mãe, música guarnecida com uma letra fazia uma provocação dúbia – que causou grande repercussão – ao dizer: “aprender a beijar outros homens…”. Dúbia por que em certos momentos a canção cita a afetividade para com os pais.
Em O Rouxinol, Gil apresenta uma parceria com Jorge Mautner que culminou em um maracatu arretado! Vale ressaltar que algumas faixas, Meditação, que fecha o álbum, destoam um pouco da temática do play.
Gil integra uma classe de artistas atemporais, o que significa que revisitar a sua obra sempre nos retrata uma estética muito própria, exprimindo ao mesmo tempo suas angústias (pessoais, políticas, etc. …) e uma maneira inovadora de evidenciar essas opiniões, tanto musicalmente como textualmente.
Segundo a crítica Ana Maria Bahiana, tratava-se porém de uma falsa simplicidade, em que o músico se propunha a retomar elementos da tradição musical brasileira e transformá-los por meio de um “despojamento voluntário”. Da mesma forma, José Miguel Wisnik apontou um “jogo sutil de imprevistos” no rendado dos arranjos

Referências
1. ↑ 40 anos de “Refazenda”, uma obra singular de Gilberto Gil. Moozyca,

Gilberto Gil – Tenho Sede – YouTube

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