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Belchior

Biografias · Por Renata Arruda

Um dos maiores nomes da música brasileira, Belchior passou alguns anos esquecido pelo mainstream até ser resgatado pelas novas gerações na década de 2000.

Belchior
Créditos: Divulgação

O sumiço do cantor em 2008, cujas motivações até hoje não foram esclarecidas, ajudou a reacender o interesse do público em sua carreira. Afinal, quem é que não se sente atraído por uma boa história de mistério?

No entanto, o hype sempre foi justíssimo. Considerado o Bob Dylan brasileiro, Belchior é responsável por compor canções maravilhosas que se tornaram verdadeiros clássicos da MPB.

Para relembrar da trajetória de Belchior, preparamos essa breve biografia, que passa pelos pontos mais importantes da sua vida e carreira. Vem ver!

Belchior: a biografia do cantor

Antônio Carlos Gomes Belchior nasceu em 26 de outubro de 1946, na cidade de Sobral, no Ceará. Sua vida sempre esteve atrelada à música: a mãe Dolores cantava no coral da igreja e logo cedo ele foi apresentado às músicas de artistas como Ângela Maria e Cauby Peixoto.

Estudante do Colégio Sobralense, teve aulas de música, canto gregoriano, línguas e filosofia na escola. Durante a infância, estudou coral e piano com Acácio Halley e se apresentou em feiras como cantor e poeta repentista.

Em 1962, Belchior se mudou para Fortaleza, onde deu seus primeiros passos como artista profissional: entre 1965 e 1970 ele participou de inúmeros festivais de música, shows amadores e programas de rádio e TV, dividindo o palco com colegas como Fagner e Ednardo.

Belchior e Fagner
Belchior e Fagner / Créditos: Divulgação

Ao mesmo tempo, o cantor concluiu seus estudos em um colégio de padres, onde estudou filosofia. Durante um breve período, ele hospedou-se no mosteiro Guaramiranga, vivendo com os frades italianos e estudando latim, canto gregoriano e italiano.

De volta a Fortaleza, Belchior ingressou no curso de medicina da Faculdade Federal do Ceará em 1968, mas não teve jeito: abandonou o curso em 1971 para dedicar-se integralmente à sua carreira.

Na capital cearense, o músico se uniu a outros artistas de sua geração como Fagner, Ednardo, Amelinha, Teti, Cirino, Jorge Mello, Rodger Rogério, entre outros. Embora com projetos artísticos diferentes, o grupo ficou conhecido como Pessoal do Ceará.

Pessoal do Ceará
Pessoal do Ceará / Créditos: Divulgações

O início da trajetória

Após deixar a universidade, Belchior decidiu se mudar para o Rio de Janeiro. Ele participou do IV Festival Universitário da MPB e conquistou o primeiro lugar com a música Na Hora do Almoço.

Em seguida, lançou o compacto Na Hora do Almoço / Quem Me Dera pelo selo Copacabana, estreando oficialmente como cantor em 1971.

No ano seguinte, partiu para São Paulo, onde passou a compor trilhas sonoras para curta-metragens e se apresentar em praças e programas de TV. Ele também continuou compondo canções, algumas ao lado de outros artistas cearenses.

Sucesso e consagração

Em 1972, a música Mucuripe, escrita em parceria com Fagner, tornou-se um sucesso nacional na voz de Elis Regina. Assim, abriram-se as portas para que Belchior se estabelecesse como um dos principais artistas brasileiros.

Após se apresentar em todo tipo de lugar — de escolas e teatros a penitenciárias e fábricas —, Belchior finalmente conseguiu gravar seu primeiro LP: A Palo Seco, lançado em 1974. A partir de então, suas músicas passaram a ser gravadas por inúmeros intérpretes.

Ainda assim, o músico encontrou certa resistência da mídia, uma vez que suas canções eram consideradas muito críticas.

A consagração enfim veio com o lançamento de Alucinação, em 1976, considerado como a grande obra-prima de Belchior. Canções como Apenas Um Rapaz Latino-AmericanoComo Nosso Pais Velha Roupa Colorida se tornaram grandes sucessos e hoje são clássicas.

Capa do álbum Alucinação
Capa do álbum Alucinação / Créditos: Divulgação

Muito desse sucesso se deve à Elis Regina, que gravou Velha Roupa Colorida Como Nossos Pais e no espetáculo Falso Brilhante — esta última sendo uma das canções mais aplaudidas do show, que posteriormente foi lançado em disco.

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Ainda em 1976, Belchior foi convidado para fazer parte do grupo de artistas que fundariam o braço brasileiro da gravadora WEA, atualmente Warner Music Group.

Uma carreira prolífica

Após chegar ao auge, Belchior continuou produzindo bastante: foram 14 álbuns lançados ao longo de 25 anos, sem contar as inúmeras coletâneas, parcerias e discos ao vivo.

Dentre os pontos altos, destaca-se a canção Comentário a Respeito de John, de 1979, na qual o músico faz uma homenagem a John Lennon, uma de suas principais referências musicais.

Além disso, suas canções continuaram sendo gravadas por outros artistas como Vanusa, Jair Rodrigues e Bianca. Da mesma forma, Belchior também gravou músicas alheias, abrindo espaço em sua discografia para composições de Arnaldo Antunes, Guilherme Arantes e Ednardo Nunes.

O músico ainda gravou dois CDs com versões em espanhol das suas composições: Eldorado, em 1998, e La Vida Es Sueno, em 2001. Em português, o último álbum de Belchior foi Auto-Retratouma coletânea de sucessos lançada em 1999.

Desaparecimento inexplicável

Em 2008, Belchior abandonou sua carreira de maneira inexplicável: ele parou de fazer shows e sumiu, deixando seus bens pessoais na residência que tinha em São Paulo.

Acabou enfrentando um processo trabalhista e dois processos judiciais relacionados às suas filhas, tendo seus carros e contas bancárias bloqueados e se tornando um foragido da polícia.

Ele foi encontrado no Uruguai por turistas brasileiros em 2009, e aceitou conceder uma entrevista à Rede Globo. No vídeo, Belchior revelou que não estava desaparecido e que preparava um novo álbum de inéditas, além do lançamento de suas músicas em espanhol.

No entanto, em 2012 o cantor desapareceu novamente: desta vez, ele e sua companheira Edna Prometheu, com quem estava junto desde 2005, deixaram um hotel 4 estrelas no Uruguai sem pagar as diárias.

Edna Prometheu e Belchior
Edna Prometheu e Belchior / Créditos: Divulgação

Dessa vez, Belchior foi encontrado em Porto Alegre e negou que as acusações fossem verdadeiras.

Segundo uma reportagem da revista Época, o músico viveu uma vida errática durante dez anos, sendo procurado pela polícia e morando de favor na casa de fãs e amigos.

Até hoje as razões para o sumiço de Belchior são desconhecidas. E foi a partir desse mistério que o jornalista Jotabê Medeiros decidiu pesquisar a vida do cantor, lançando em 2017 a primeira biografia dedicada a ele: Belchior – Apenas um rapaz latino-americano.

Infelizmente, o artista faleceu antes que o livro estivesse concluído.

Falecimento de Belchior

Belchior faleceu em 30 de abril de 2017, em Santa Cruz do Sul, aos 70 anos devido ao rompimento de um aneurisma da aorta. Sua morte causou uma comoção nacional e levou o governo do Ceará a decretar luto oficial de três dias.

O cantor foi velado em sua cidade natal, Sobral, e sepultado em Fortaleza, como era o seu desejo.

GALERIA DE FOTOS

BELCHIOR ETERNO
TV VERDES MARES.03/12/2017

TV Ceará
Especial Belchior – programa exibido em 01.05.18

Ensaio | Belchior | 1992

Belchior – MPB Especial (02/10/1974)
Durante a trabalhosa tentativa de emplacar seu primeiro LP, umas das várias aparições de Belchior foi no programa intimista “MPB Especial”, da TV Cultura, em 02 de Outubro de 1974. Nele, um Belchior ainda muito novo, aberto e relativamente zangado (como no depoimento ao fim do programa), se apresentava ao público através de um diálogo autobiográfico, provando que o novo sempre vem. Imagem e som restaurados. 720p e 60fps. TV Cultura, 1974.

Belchior é entrevistado no programa Grande Debate, da TV O POVO (Exibido em 2007)
O sociólogo Dilmar Miranda e os jornalistas Eleuda de Carvalho e Ruy Lima entrevistam Belchior no Grande Debate da TV O POVO em 30/8/2007. O cantor cearense faleceu no dia 30 de Abril de 2017 fazendo a derradeira travessia: agora não apenas geográfica, mas de corpo e alma. Confira o Especial Belchior 70 Anos de Vida e Poesia: http://bit.ly/2feZeiB

Em comemoração aos 70 anos de Belchior, um trecho raro do show “Pixinguinha – 5 Anos com a MPB”, em comemoração ao Projeto Pixinguinha, realizado no Maracanãzinho em 18 de agosto de 1981.

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