Nascido em Salvador, no dia 28 de junho de 1945, Raul Santos Seixas veio ao mundo predestinado a ser a eterna Metamorfose Ambulante que revolucionou o rock and roll e colocou muita gente pra pensar.
Mesmo depois de mais 30 anos de sua morte, os fãs ainda buscam compreender essa figura icônica e muito respeitada no meio da música.
Gênio, maluco, poeta, músico, inovador, um cara à frente de seu tempo… Há muitas facetas que podem definir o pai do rock brasileiro, Raul Seixas, para os fãs.
Raul sonhava em ser cantor ou escritor e acabou indo além, unindo as duas formas de manifestações artísticas e conquistando o Brasil.
Se tornou a figura mais importante da história do rock nacional, um sujeito questionador, místico, irônico e que buscava compreender o mundo além da matéria.
Ao compor e criar em um dos períodos mais conturbados da história política brasileira, é claro que Raul incomodou muito e acabou preso e exilado.
O INÍCIO, O MEIO E O FIM
Com sete anos iniciou no curso primário. Em 1957 ingressou no Colégio São Bento, mas foi reprovado na 2ª série por três anos. Foi então mandado para o curso interno do Colégio Marista, mas só completou a 3ª série.
Raul gostava de ler os livros da biblioteca de seu pai e criva suas próprias histórias desenhando os personagens nos cadernos da escola. Gostava de música, mas seu sonho era ser escritor.
Na adolescência ele ficava horas ouvindo as músicas de Elvis Presley e de Little Richard. Em 1959, junto com o amigo Waldir Serrão, fundou o fã clube “Elvis Rock Club”.
Os Panteras
A carreira de Raul começou no início da década de 60, quando formou a banda Relâmpagos do Rock, que depois de algumas apresentações e de conquistar visibilidade em Salvador, mudou de nome para Os Panteras.
Já integrado à cena do Rock em Salvador, em 1962, Raul entrou para a formação da banda “Os Panteras”, formado por Mariano Lanat, Eládio Gilbraz e Carleba.
Em 1963 a banda se apresenta no programa “Escada de Sucesso” na TV Itapuã. Em 1967 o grupo aceita o convite de Jerry Adriane para ir ao Rio de Janeiro. No ano seguinte gravam o primeiro e único disco “Raulzito e Os Panteras”.
No Rio de Janeiro “Os Panteras” passam por grandes dificuldades para divulgar o disco e com o apoio do cantor tocam como banda de apoio.
Nesta época ele vivia em Ipanema e ia caminhando até o centro para divulgar seu disco, chegou a passar fome e a sua experiência no Rio serviu de inspiração para a música Ouro de Tolo, que viria a fazer sucesso mais tarde, com o cantor já em carreira solo.
Com o Fracasso da banda, o grupo volta para Salvador. Ainda em 1968, Raul conhece o diretor da CBS, que mais tarde o convida para ser produtor da gravadora.
O músico Jerry Adriani foi um dos que mais ajudou a impulsionar a carreira do maluco beleza, e convidou Raul para ser o produtor de seus discos.
Enquanto isso, Raul continuava compondo, tanto que outros músicos da Jovem Guarda se interessaram em gravar suas músicas, como Ed Wilson, Renato e Seus Blue Caps, Jerry Adriani, Odair José, entre outros.
Em 1971, com o trabalho na produtora, conseguiu lançar o disco Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10, uma espécie de ópera rock que misturava samba, chorinho, baião e inspirado em Frank Zappa e no clássico álbum dos Beatles, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.
O disco era uma compilação de vários artistas que cantavam suas músicas em faixas separadas, mas a censura cortou boa parte das letras e a gravadora também não apoiou a divulgação do trabalho.
Depois de alguns lançamentos mal sucedidos, em 1970, Raul participou do Festival Internacional da Canção com “Let Me Sing, Let Me Sing”, defendida pelo próprio Raul, e “Eu Sou Eu e Nicuri é o Diabo”, defendida por Lena Rios & Os Lobos.
Suas músicas chegaram à final e a partir daí, seu nome começou a se destacar. Foi então contratado pela gravadora Philips. Conheceu o escritor Paulo Coelho que mais tarde se tornou seu parceiro musical.
Primeiros sucessos
Em 1973 Raul Seixas lançou seu primeiro disco “Kring-ha, Bandolo!” que fez sucesso com as músicas “Ouro de Tolo”, “Mosca na Sopa”, Metamorfose Ambulante e Al Capone.
Muitos de seus sucessos estão neste importante trabalho, como Mosca Na Sopa, Metamorfose Ambulante, Al Capone, How Could I Know e a clássica e debochada Ouro de Tolo.
Raul Seixas e a Sociedade Alternativa
Sociedade Alternativa, canção presente no álbum Gita, de 1974, não foi apenas uma música com temática anarquista criada por Raul Seixas e Paulo Coelho, seu parceiro em diversas outras composições.
ara promover a Sociedade Alternativa, Raul e Paulo começaram a distribuir panfletos durante os shows e acabaram sendo presos pelo Departamento de Ordem Política e Social da Ditadura Militar, o DOPS, que queria saber mais sobre o que seria essa tal sociedade alternativa.
A dupla já era mal vista pelos militares por suas composições consideradas subversivas. Eles foram torturados e exilados nos Estados Unidos no início de 1974 e ficaram quase um ano fora do país.
Enquanto estavam exilados, o álbum Gita começou a fazer sucesso no Brasil com vendas estrondosas, passando a marca de 500 mil cópias vendidas.
De volta ao Rio de Janeiro, em 1975, Raul lançou “Novo Aeon”, que fez sucesso com a música “Tenta Outra Vez” composta também em parceria com Paulo Coelho.
A parceria com Paulo Coelho permaneceu até 1975 e dela surgiram sucessos, como Gita, Tente Outra Vez, Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás, Ave Maria da Rua, Medo de Chuva, entre outras.
Em 1976 lançou “Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás”, um grande sucesso. Nos anos seguintes, Raul lançou “O Dia Em Que a Terra Parou”, onde se destacou a música “Maluco Beleza” e também a faixa título.
Ainda na década de 70, Raul lançou os discos “Por Quem Os Sinos Dobram” e “Mata Virgem”, ambos em (1979).
Década de 80
Em 1980, Raul gravou o disco “Abre-te Sésamo”, porém logo depois ficou sem gravadora e mergulhou no álcool e nas drogas, sem perspectiva de novas gravações.
Em 1982, faz um show na praia do Gonzaga, em Santos e no mesmo ano apresenta-se drogado para apresentar um show em Caieiras, São Paulo.
No ano seguinte, é convidado para gravar um disco pelo Estúdio Eldorado. No mesmo ano, lança “Raul Seixas”, onde se destacou o sucesso “O Carimbador Maluco”, e lhe deu o disco de ouro e um show na televisão.
Em 1984 lançou “Metrô Linha 743”. Depois de três anos sem gravar, lançou “Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!” (1987). No ano seguinte lançou “A Pedra do Gênesis”.
Em 1989 realiza diversas apresentações pelo país, em companhia do roqueiro Marcelo Nova, que resultou em seu último disco, “A Panela do Diabo”.
As mulheres na vida de Raul
Raul teve muitos relacionamentos e se casou cinco vezes, sendo sua primeira esposa a americana Edith Wisner, com que tem uma filha, Simone Andréa Wisner Seixas.
Mesmo sem ter terminado com Edith, o cantor começou a se relacionar com Gloria Vaquer, com quem compôs junto a música Love Is Magick e também dividiram os vocais em Sunseed. Com Glória ele teve outra filha, Scarlet Vaquer Seixas.
A terceira mulher a entrar na vida de Raul foi Tânia Menna Barreto, com que ficou até mais ou menos 1979.
Ângela Costa, a Kika Seixas, quarta esposa, conheceu Raul em 79 e juntos tiveram uma filha, Vivian Costa Seixas.

A quinta esposa de Raul foi Lena Coutinho, com quem compôs diversas músicas, como Quando Acabar o Maluco Sou Eu, Paranóia II, Loba, entre outras.
Morte
Durante sua carreira, Raul teve momentos de altos e baixos por conta do abuso de álcool, lançou cerca de 17 discos que tiveram bom destaque, como Novo Aeon, Metrô Linha 743, A Panela do Diabo, O Dia em que a Terra Parou, entre outros.
Ele faleceu de pancreatite aguda no dia 21 de agosto de 1989, mas deixou um enorme legado para a música e permanece vivo e cultuado pelos fãs.
No dia 21 de agosto de 1989, dois dias após o álbum chegar ao mercado, Raul é encontrado morto em sua cama, no apartamento em São Paulo.
Raul Seixas faleceu em São Paulo, no dia 21 de agosto de 1989, com apenas 44 anos, vítima de pancreatite aguda.
Fontes:
https://www.ebiografia.com/ Por Dilva Frazã
https://www.letras.mus.br/ Por Érika Freire
CURIOSIDADES SOBRE RAUL SEIXAS
Raul Seixas é ainda nos dias atuais reverenciados por fãs de rock e música pop do Brasil inteiro. Mas você sabia que ele já pensou em ser escritor? Sabia também que suas principais músicas foram escritas em parceria com Paulo Coelho? Conheça algumas curiosidades sobre o eterno maluco beleza.
– Alguns fãs, sites e biógrafos de Raul contam que ele escreveu a música Metamorfose Ambulante aos 12 anos de idade.
– Pode-se dizer que as primeiras influências musicais de Raul Seixas vieram com certeza da música nordestina, especialmente o baião e o repente. Raul costumava ouvi-las nas viagens com o pai, que era inspetor de ferrovias.
– Antes de desejar se tornar cantor, o maior sonho do menino Raul era ser escritor. Ele gostava de criar textos, poesias e histórias em quadrinhos.
– O primeiro ídolo de Raul foi Luiz Gonzaga, o chamado Rei do Baião. Mas seu maior ídolo, o sujeito que influenciou sua vida para sempre, foi o Rei do Rock: Elvis Presley. Raul Seixas era “fã de carteirinha” de Elvis.
– O primeiro grupo musical do jovem Raul chamava-se Os Relâmpagos do Rock, chamado mais tarde de The Panthers e, em seguida, Raulzito e os Panteras.
– Um dos maiores incentivadores de Raul Seixas no início da carreira foi o cantor Jerri Adriani.
– Pouca gente sabe, mas o futuro Maluco Beleza produziu artistas e compôs músicas para a Jovem Guarda, entre elas Ainda Queima a Esperança, Tudo o Que é Bom Dura Pouco e Doce, Doce Amor.
– O primeiro registro fonográfico de Raul foi um disco de 78 RPM de 1964. Continha as faixas Nanny e Coração Partido – versão brasileira de uma canção de Elvis Presley. O compacto nunca chegou a ser lançado.
– No final dos anos 1960, Raul conheceu Mick Jagger, que o incentivou a cantar música africana (????).
– Em 1972, ele participou do VII FIC (Festival Internacional da Canção) com duas músicas: Let me Sing, Let me Sing e Eu Sou Eu Nicuri é o Diabo.
– O disco que consagrou Raul Seixas, tornando-o um ídolo nacional foi Krig-ha Bandalo, de 1973. Antes disso, ele gravou Raulzito e Os Panteras (1968), Sociedade da Grã-Ordem Kavernista (1971) e Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock (1973).
– Falando nisso, Krig-ha Bandalo era uma espécie de grito de guerra do herói dos quadrinhos Tarzan – criação de Edgar Rice Burroughs –, indicando que os inimigos estão chegando.
– O vinil Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock foi na verdade um disco com covers de grandes cantores do rock interpretados por Raul, entre os quais estavam Neil Sedaka, Little Richards e os brasileiros Celly Campello e Roberto Carlos.
– A parceria com o hoje escritor Paulo Coelho começou no início da década de 1970 (mais propriamente 1973). Juntos, Raul e Paulo compuseram Al Capone, Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás, Sociedade Alternativa, Gita, A Maça e Tente Outra Vez.
– Em 1974, Raul foi preso e torturado no DOPS (o temível departamento de ordem pública do governo militar) por divulgar, juntamente com o amigo Paulo Coelho, a “Sociedade Alternativa”. De acordo com seus biógrafos e fãs, a tal Sociedade Alternativa (que nem Raul sabia explicar exatamente o que era), foi inspirada nas ideias do místico Aleister Crowley. Para quem não sabe, é o mesmo místico que inspirou o roqueiro Ozzy Osbourne na música Mr. Crowley.
– À propósito, você sabia que Raul foi expulso do Brasil em 1974 justamente por causa da Sociedade Alternativa? Para os órgãos de repressão da ditadura, ela era uma espécie de movimento contra o governo.
– As músicas Como Vovó Já Dizia foi recusada duas vezes pelos censores durante o regime militar.
– Gita é uma música baseada no Bhagavad-Gita, clássico religioso hindu. O Bhagavad-Gita é, na verdade, parte do épico Mahabarata, escrito no século IV antes de Cristo. Seu significado? Canção de Deus.
– A música Carimbador Maluco fez parte do musical infantil Plunct, Plact Zuuum, exibido pela Rede Globo em 1983. Nele, Raul faz ponta como um carimbador que exige visto de um grupo de crianças que pretendem fazer uma viagem especial.
– Raul teve cinco esposas: Edith Wisner, Glória Vaquer, Tânia Mena Barreto, Lena Coutinho e Kika Seixas.
– Em 1982, Raul foi preso na cidade Caieiras, Grande São Paulo, sob a acusação de ser um impostor. Ele estava bêbado e não tinha documentos e, por isso, nem os fãs, nem a polícia acreditaram que ele fosse ele mesmo.
– Em 1985, Raul foi o pivô de um grande quebra-quebra na cidade de São Bernardo do Campo, onde devia fazer um show. A casa noturna Adrenalina vendeu centenas de ingressos mas, no dia, Raul não compareceu. Revoltados, os fãs depredaram o estabelecimento. A quebradeira foi tamanha que a casa nunca mais se recuperou, fechando as portas pouco tempo depois.
– Raul faleceu no dia 21 de agosto de 1989, vítima de pancreatite. Ele foi internado várias vezes para tratar do problema do alcoolismo, mas sempre voltava a beber.
– A fama de Raul só cresceu depois de seu falecimento. Nos 20 anos da morte de Raul, milhares de fãs de todo o Brasil se reuniram no Centro de São Paulo para homenageá-lo. Aliás, essas reuniões são comuns, ocorrendo sempre na data da morte do cantor. E durante a Virada Cultural (evento com 24 horas de espetáculos) de 2009, foi montado um palco na Estação da Luz só para a apresentação de covers do Maluco Beleza.
Fonte:
https://g1.globo.com/ Por Mauro Ferreira-
Impressionante maravilhosamente lindo tudo que ouvur sobre os relatos de Raulzito..
Todas as letras das músicas falam por si só são mais que poesias..
Não há quem não se emocione com todos seus relatos, de amigos e seus familiares..
Gratidão…