TUNAI

Morreu aos 69 anos,no dia 26 de janeiro de 2020 , o cantor e compositor Tunai. Ele sofreu uma parada cardíaca na casa onde morava no Rio de Janeiro, e não resistiu. Irmão do também cantor e compositor João Bosco, o artista, mineiro de Ponte Nova, compôs com Sérgio Natureza “As Aparências Enganam”, interpretada por Elis Regina; e “Certas Canções”, eternizada na voz e poesia de Milton Nascimento.

Outros grandes nomes da música brasileira, como Elba Ramalho, Fagner e Sandra de Sá, também gravaram composições de sucesso de Tunai. Na carreira-solo, ele foi reconhecido pelo famoso hit “Frisson”, tema da novela Suave Veneno, da TV Globo.

Cantor. Compositor. Neto de árabes. Filho de Daniel Mucci e Maria Auxiliadora de Freitas Mucci. Com a mãe (Dona Lilá) – criadora e participante de um grupo de seresta, onde toca violino e mantém um coral de 40 vozes, juntamente com a filha (Auxiliadora) -, aprendeu as primeiras noções de música. A irmã foi crooner no clube de Ponte Nova. Irmão do também cantor e compositor João Bosco. Aos 11 anos, chamou atenção em um festival da Escola Nossa Senhora das Dores, cantando bossa nova. Antes de ir para Ouro Preto-MG (1968) estudar no Escola Técnica Federal (Metalurgia) e depois na Escola de Minas (Engenharia) Tunai participou de mais dois festivais, um em Ouro Preto e outro em Ponte Nova, ganhando o 1º lugar com uma toada em parceria com Tim, seu conterrâneo poeta e as participações de Margareth, sua irmã caçula cantando, de João Bosco e seu quarteto de Ouro Preto (Paulinho, Zé Andrade e Nilberto, assim como o João, todos estudantes de Engenharia) e Tunai no baixo, instrumento que adotou quando tocava no “Mafra Filho e seu Conjunto” que animava as domingueiras dançantes no Pontenovense Futebol Clube, substituíndo o então baixista titular, Jair, que trabalhava no Banco do Brasil e fora transferido da cidade. “Nunca mais me esqueci do case preto com forração na cor azul cintilante de um veludo macio e cheiroso, guardando o Giannini vermelho e branco (as cores do clube) um lindo baixo elétrico que o PFC comprou, exigência minha, pois não conseguia nem segurar direito o baixo acústico do Jair (muito maior do que eu), ainda mais tocar…”

Do Mafra Filho cujo repertório era Bossa Nova, Jazz, Foxtrote, Bolero, Samba etc, naquela formação clássica com Zeli Mafra no Sax e Flauta, Baixo, Bateria (Edinho, que mais tarde viria substituir Lalinho-maravilhoso guitarrista e seu irmão Toninho Vermelhão assumindo a bateria), trumpete (Afrânio), percussão e um crooner negro, elegantíssimo no seu smoking bicolor, gumex no cabelo, cantando muito e ainda por cima chegava no clube numa Harley Davidson, nasceu o JBS (Jovem Brasa), com muito Beatles, Rolling Stones, sucessos da Jovem Guarda, muito Rock e Blues (The Animals) onde a banda se apresentava nos clubes da cidade e boa parte da Zona da Mata, onde normalmente as viagens eram de Trem. Tunai no baixo, Edinho na guitarra, Toninho Vermelhão na bateria (ótimo goleiro também), Tché Tché na percussão e Afrânio Pé Duro na segunda guitarra, era assim.

Em 1977, João Bosco o apresentou ao letrista Sergio Natureza, com quem viria mais tarde a produzir boa parte de sua obra e seus maiores sucessos.

Estreou em 1978, quando Fafá de Belém interpretou “Se eu disser”, composição sua com Sergio Natureza. No ano seguinte, Elis Regina registrou, de sua autoria, “As aparências enganam”, parceria com Sergio Natureza, no elepê Elis – essa mulher. Tunai gravaria ainda em 1980, pela PolyGram, um compacto simples, produzido por Octávio Burnier, com as músicas “As aparências enganam” e “Trovoada”, ambas em parceria com Sergio Natureza. Ainda em 1980 Elis Regina incluiria no disco Saudades do Brasil outra música sua: “Agora tá” (c/ Sergio Natureza). Em 1981, Tunai lançou em compacto simples a música “Adeus à dor”, em parceria com Sergio Natureza e gravou seu primeiro elepê, Todos os tons, pela PolyGram. Neste mesmo ano, César Carmago Mariano ganhou o prêmio de melhor arranjo no Festival da Rede Globo, com a música “Adeus à dor” (Tunai e Sergio Natureza). Em1982, Jane Duboc obteve o 3° lugar no Festival MPB Shell da Rede Globo com a música “Doce mistério”, outra parceria com Sergio Natureza. No ano seguinte, Tunai gravou o disco Olhos do coração, pela PolyGram. Em 1984, a música “Depois das dez” (c/ Sergio Natureza) foi incluída no disco Delírios e delícias, da cantora Simone. Nesse mesmo ano, Gal Costa gravou duas composições de sua autoria: “Olhos do coração” (c/ Sergio Natureza) e “Eternamente” (c/ Liliane e Sergio Natureza), esta última incluída como tema de novela da Rede Globo, tema de caso especial e ainda na peça “De braços abertos”, estrelada por Irene Ravache e Juca de Oliveira. Ainda nesse ano, lançou pela gravadora Barclay-Ariola o disco Em cartaz, com destaque para a música “Frisson” (c/ Sergio Natureza), que ficou conhecida como “A melô do anjo que caiu do céu”, incluída como tema da novela “Suave veneno”, da Rede Globo.

Entre 1985 e 1994, fez vários shows em teatros de todo o Brasil e lançou diversos discos: Sintonia (PolyGram – 1985), Sobrou pra mim (Eldorado – 1988) e Dom (Caju Music – 1994). Todos com sucessos amplamente divulgados em várias emissoras de rádio e incluídos em trilhas de novelas e casos especiais, como “Sintonia” (novela “Tititi” da Rede Globo), “Sobrou pra mim” (trilha da novela “Fera radical”, também da Rede Globo), e “Meu amor” (versão para “My love”, de Paul MacCartney, incluída em “Despedida de solteiro”, da Rede Globo). Entre seus muitos parceiros está Milton Nascimento, que obteve sucesso com a gravação das músicas “Rádio experiência” e “Certas canções”. Dos intérpretes de suas composições, constam grandes nomes da MPB, como Gal Costa (“Eternamente” e “Olhos do coração”), Elba Ramalho (“Frisson”), Fagner (“Azul da cor de um blues”), Jane Duboc (“Doce mistério” e “À cores”), Emílio Santiago (“Perdão”), Elis Regina (“As aparências enganam”, “Agora tá” e “Lembre-se”), Fafá de Belém (“Na hora exata”, “Eternamente” e “Se eu disser”), Zizi Possi (“Numas”), Beto Guedes, Joanna, Sandra de Sá, Sérgio Mendes (“Olhos do coração”) e Belchior. Na década de 1990, Ney Matogrosso gravou “As aparências enganam”, montando um show homônimo que percorreu com sucesso todo o país. A canção voltou a ser gravada por Beth Calligaris no CD Estrada, lançado pelo selo Geléia Geral. Em 1999, Ivete Sangalo lançou um disco onde interpretou “Frisson”. No ano 2000, em comemoração aos seus 20 anos de carreira fonográfica, lançou pela gravadora Jam Music o CD Certas canções-acústico. Nesse disco, gravado ao vivo no Teatro Municipal de Ouro Preto (MG), incluiu sucessos de sua carreira e composições suas que foram sucessos nas vozes de outros cantores, como “As aparências enganam”, “Olhos do coração”, “Eternamente”, “Certas canções”, “Rádio experiência”, “Sintonia”, “Sobrou pra mim”, “Meu amor” e “Frisson”. O disco contou com as participações especiais de Milton Nascimento, na faixa “As sem razões do amor” (música sobre o poema de Carlos Drummond de Andrade) e de João Bosco, na música “Lobos do mar”, em parceria com Márcio Borges. Durante o ano 2000, apresentou-se em vários teatros do país com o show “Certas canções – acústico”. Nesse espetáculo, além do repertório do disco homônimo, incluiu também canções inéditas, como “Um dia de verão” (c/ Cláudio Rabelo), “Falando em ti – meu Rio” (c/ Sergio Natureza) e uma homenagem à bossa nova, interpretando “Wave” (Tom Jobim), “Desafinado” (Tom Jobim e Newton Mendonça), “Retrato em branco e preto” (Tom Jobim e Chico Buarque), “Eu sei que vou te amar” e “Chega de saudade”, ambas em parceria com Vinícius de Moraes

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